quinta-feira, 8 de novembro de 2012

interregno

Falo-lhes o seguinte:
Cantei em faustos banquetes, como se faz de mente torpe
embriagado pelos minaretes e as dançarinas decentes
pela cor-belga que sua dança trazia de cor
de meu canto pude entoar

Que de eras e eras verde pode ser o cão menor
a ursa distante não serviu ao que navegou de ser
mas a vida vera não se via pois de meu canto de mar

pude por-me a linho e fazer de obras todas as canções
naveguei sozinho em nuanças tolas entre multidões
oiros descobertas frestas de eterno luar na voz
ouvia discreto dançava ao teto com a dança em paz

essas toucas todas loucas e soturnas alegres fainéis
trouxe tudo em conta na preciosa vida que desperdicei
onde fiz caminho e de tanto esgar deixei desencaminhar

***

Esse intervalo de fala uso para aduzir
que após esses passos pude viver
tudo que cantei e não aproveitei no valor de ser
no entanto que disso tudo podia me servir?

percorri embarcações densas redes de mar
como se de tudo me fizesse dono até do luar
cada descoberta era um bom bocado que enchia
tomando à conta de tamanho que em verdade não possuia

lancei pois de mim mesmo a mais amarga face
mesmo que se me fizesse amigo e provasse
que de alegria tonta e de devaneios
podia ludibriar a sorte que me fez sozinho
traçando novas rotas para o mestre caminho
distante mais me fiz das metas de anseios

***

Assim é mar e é terra o balanço eterno
a dança da vida o sempre ecoar
a me enredar em sua rede-teia
em seu embalo de manha maternidade
ensinando que em cima ou embaixo
desse ou do outro lado do mesmo
é no centro que mora o achado
é bem dentro que já fora faz-se medo

humildemente recomeçamos
mesmo que na rota nos percamos de mar
nos percamos de terra novo navegar
mesmo que começo se faça alinhar
começamos na vida a cada tempo
o que o silêncio nos pode guiar


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